Estratigrafia
O termo estratigrafia deriva do latim “stratum” e do grego “grafia” e tem como significado etimológico: ciência que se ocupa da descrição 1) das rochas estratificadas, 2) da sua sucessão, 3) das suas relações genéticas e 4) da sua interpretação.
Os principais objectivos dos estudos estratigráficos são (J. A.V. Torres, 1994):
1) Identificação dos materiais – reconhecimento e identificação dos diferentes tipos de matérias estratificados, tendo em conta um determinado conjunto de propriedades – fácies – (litologia, textura, estruturas, propriedades geofísicas e geoquímicas e conteúdo fóssil).
2) Delimitação das unidades litoestratigráficas – delimitação de volumes de rochas sedimentares em função das unidades litoestratigráficas.
3) Ordenação relativa das secções estratigráficas – dedução das continuidades e descontinuidades do processo de sedimentação entre unidades litoestratigráficas sobrepostas, através do estudo das relações entre estas.
4) Interpretação genética das unidades – determinar as condições de sedimentação desde a fase inicial de deposição de sedimentos (materiais mais antigos) até à deposição de materiais mais modernos – Sedimentologia.
5) Levantamento de secções estratificadas – estabelecimento da secção estratigráfica local, através da ordenação temporal de todas as unidades litoestratigráficas (presentes numa determinada área exacta).
6) Correlação – comparação entre diferentes secções estratigráficas, nomeadamente em termos do conteúdo fóssil e propriedades físicas.
7) Introdução da coordenada tempo – esta coordenada permite fazer correlações de acontecimentos, nomeadamente determinar a idade dos materiais. No entanto necessitamos de dados bioestratigráficos e elementos de datação das rochas (a) datação radiométrica ou isotópica; b) datação relativa, aplicando os princípios fundamentais da estratigrafia). Delimitação das unidades bioestratigráficas e cronostratigráficas.
8) Análise de bacias – análise dos dados anteriores para o conjunto da bacia.
Princípio da sobreposição dos estratos: numa sequência de extractos, onde não tenha ocorrido qualquer alteração das suas posições de origem, um estrato é mais recente do que aquele que recobre (muro) e mais antigo do que aquele que o cobre (tecto).
Princípio da identidade paleontológica: estratos que pertençam a colunas estratigráficas diferentes, mas que possuam o mesmo conteúdo fóssil são considerados como tendo a mesma idade relativa. A este tipo de fósseis, dá-se o nome de fósseis de idade (existiram durante um intervalo de tempo geológico pequeno (aprox. 1 milhão) e bem determindado e tiveram uma ampla distribuição no globo.
Princípio da continuidade lateral: é possível relacionar temporalmente duas colunas estratigráficas que se encontram em diferentes locais, se estas possuírem uma sequência de deposição dos sedimentos semelhante (litologias semelhantes).
Princípio da intersecção – qualquer estrutura geológica que intersecte estratos é considerado como posterior aos mesmos.
Principio da inclusão – fragmentos de rochas que sejam incluídos num estrato são considerados como mais antigos do que este.




